
FAZ-ME TUA
Vem, me toma, faz-me tua!
Quero ser mulher da rua
me oferecendo sem pejo,
e perceber teu desejo
crescer louco, alucinado,
com a mesma ânsia sedenta
que a mim me empurra, me tenta,
se te sinto, aqui, ao lado.
Quero ver tuas mãos nuas
em arpejos delicados,
percorrerem labirintos,
os quais eu suponho, pressinto,
não foram, sequer, desbravados.
Me olharás, sim, me olharás
de um modo diferente
ao ver o meu corpo despido,
estendido à tua frente,
igual a um cordeiro inocente
que, em breve, irás imolar.
Vem me toma. Faz-me tua!
Quero ser mulher da rua,
sem vergonha... sem chorar.